"Sucesso é mostrar que tampinhas são arte, não lixo"

August 22, 2017

A 2ª Exposição "Se Beber, Recicle" acontece de 17 de agosto a 20 de outubro no Galpão das Artes Urbanas da Comlurb, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Organizada e divulgada pelo IEVA - Instituto Eventos Ambientais, a mostra traz o trabalho do artista plástico Alfredo Borret, que transforma tampinhas de metal em obras de arte com a alma do Rio de Janeiro.

Com a exposição a pleno vapor, o artista carioca conversou com nosso blog sobre suas origens, o começo do projeto Ecotampas, sua visão sobre sustentabilidade e, claro, a parceria de longa data com o IEVA. Confira abaixo o bate-papo com Borret!

 

Como surgiu o projeto de transformar tampinhas em arte?

Eu criei o Ecotampas em 2007. Mas, antes disso, eu já me envolvia com voluntariado e causas ambientais. A problemática social que me incomoda é o lixo. Viver no meio do lixo e conviver com lixo nas ruas não entra na minha cabeça, nem na possibilidade de progresso e desenvolvimento de algum país. É impossível atingir o desenvolvimento se não conseguimos resolver o problema de resíduos; se não conseguimos encontrar uma lixeira; se o governo e as autoridades não conseguem lidar com lixo como uma questão séria de saúde.

Em 2004 e 2005, eu criei o projeto Ecopet, no qual fazia oficinas de educação ambiental através do reaproveitamento de garrafas pet em enfeites, brinquedos etc. Então, em 2006, tive a oportunidade de ir a um seminário na Fundação Getúlio Vargas (FGV). No coffee break, me perguntaram qual tipo de resíduo eu produzia, e eu não sabia responder. Essa resposta só veio em 2007.

Após um evento familiar, vi que havia muitas tampinhas de cerveja jogadas no chão, e percebi que era esse o tipo de resíduo que eu produzia. A partir daí, quis fazer algo que diminuísse o impacto desse resíduo gerado e também abrir os olhos das pessoas para esse tipo de resíduo.

Infelizmente, não existe nenhuma ação de empresas para incentivar o descarte correto das tampinhas de metal. Elas ficam fora da visão da reciclagem. Elas ficam fora do material que vai para a reciclagem. Ninguém coleta a tampinha. Ninguém trabalha a tampinha. E ela se torna um problemão! Uma vez que ela pode ser criadouro do mosquito aedes egypti, nos expondo a uma série de doenças.

Então, em 2007, eu criei as Ecotampas. Comecei fazendo ímãs de geladeira. Eu ia aos cartões postais do Rio de Janeiro e distribuía gratuitamente para os turistas, transmitindo a mensagem “Se Beber, Recicle”.

 

Como desenvolveu a sua técnica e seu estilo?

Quando comecei a fazer os ímãs da Ecotampas, em 2007, fiz uma pesquisa e verifiquei que existiam algumas ações de empresas, nas quais elas incentivavam pessoas a juntarem tampinhas para trocar por prêmios. Me lembrei de uma campanha da Pepsi, que trazia imagens dos Trapalhões dentro das tampinhas, que podiam ser trocadas por copos do programa. Porém, eram imagens impressas de maneira industrial, e eu queria fazer de uma forma artesanal. Então comecei a trabalhar as imagens dos cartões postais dentro da tampinha.

Em 2012, para a Rio+20, eu desenvolvi a minha técnica inédita: fazer quadros com as tampinhas. Eu transformo uma tela em um quebra-cabeça, que no final dá um resultado de mosaico. Trouxe a inspiração da minha infância, quando eu fazia muitos quebra-cabeças de barcos, de navios. Daí desenvolvi a técnica do quebra-cabeça com efeito de mosaico, no qual trabalho com fotografias, imagens abstratas. Ainda em 2012, comecei a fazer esculturas, também com tampinhas.

 

Como você se sente com a exposição a pleno vapor?

O sucesso do meu trabalho foi uma coisa quase inesperada. Eu tenho, graças a Deus, alguma visibilidade na mídia. Participei de alguns programas de TV, falei com revistas, jornais e sites brasileiros e internacionais. E a exposição está sendo um sucesso porque estamos com essa pegada ambiental, fonte de preocupação de muitas pessoas. O surgimento de cervejarias artesanais também nos ajuda. Muitas cervejarias estão preocupadas em, além de fornecer produtos de qualidade, conseguir lidar com a questão dos resíduos. Eu tenho o apoio da cervejaria Praia, da Cevaderia e da cervejaria Arariboia. Junto com o pessoal que gosta do meu trabalho, eles ajudam a exposição a estar bem legal. Estaremos até o dia 20 de outubro no Galpão das Artes Urbanas, na Gávea, e está bem legal.

Mas o principal para mim, além da arte, é conseguir transformar o olhar de cada pessoa. Ao verem os trabalhos, as pessoas automaticamente mudam seu modo de pensar sobre a tampinha de metal, sabendo que ela pode virar arte em vez de lixo. E esse é o maior sucesso do meu trabalho: fazer as pessoas olharem para o meu trabalho e verem que tampinha não é lixo.

Qual é o papel do IEVA – Instituto Eventos Ambientais na exposição?

O IEVA tem um papel muito motivador, muito incentivador ao meu trabalho. É uma parceria de muito tempo, na qual já fizemos muitos trabalhos e eventos. Hoje, o IEVA é um grande parceiro, incentivador e cliente que eu tenho. Nossa parceira é muito importante para incentivar o meu trabalho. Hoje em dia, eu faço parte de um quadro de artistas representados. É um casamento que deu certo. Falamos a mesma língua, pensamos igual e temos o mesmo objetivo: reduzir impactos ambientais, mudar a cabeça das pessoas e deixar um país melhor para as gerações futuras. É uma parceria de sucesso. Vida longa a nós!

 

Por fim, qual é o seu recado para quem ainda não veio à mostra?

Convido todas as pessoas que sejam do Rio de Janeiro ou que estejam na cidade para vir à exposição “Se Beber, Recicle”, na qual elas verão arte feita a partir de tampinhas de metal oriundas de garrafas de cerveja, refrigerante e várias bebidas.

Venham prestigiar o Galpão das Artes Urbanas que, além da minha exposição, ainda tem uma exposição externa comemorando 15 anos do espaço, além de várias obras utilizando resíduos.

Aguardo todos vocês! Grande abraço e saudações ecológicas!

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Veja mais sobre o trabalho do Alfredo Borret nas redes sociais.

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Instagram: @ecotampas

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